quarta-feira, 23 de março de 2011

Contrato de risco


Vendo a quem interessar o resto de meus dias de vida,
sem prazo de garantia,
sem garantia de qualidade de vida... 
apenas vendo a quem quiser assumir este contrato de risco.
Como forma de pagamento, qualquer tipo de sentimento bom, amizade, amor, ternura,
qualquer carinho sem censura, 
pois dinheiro, que eu nunca soube ganhar, 
eu não quero e não vou precisar para onde vou.
Faça as contas e calcule,
este ano 50 de vida se completam, quantos restam ?
Vale a pena ?
Está interessado em comprar? 
Pois de certeza apenas minha vontade de vender.
Estou cansado, dilacerado,
sem ânimo de tocar esta velha carcaça por mais tempo.
Quero me jogar ao vento, feito essência, feito espírito, feito nada... mesmo nada tendo feito de concreto.
Como pedreiro de minha própria vida nada eu construí,
vejo os únicos tijolos levantados ruir,
não enxergo na argamassa de minha existência,
solidez, consistência.
Já me sinto em ruínas ainda com a obra em andamento. 
Chega .... não dá mais tempo.
Toquem as sirenes do intervalo. 
Que venha no segundo tempo um novo empreiteiro.
Vendo esta obra inacabada. Vendo meus dias derradeiros. 
Vendo... mas não em troca de dinheiro... 
quero apenas aquilo que desde o dia em que nasci me é direito,  
o direito de morrer.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Onde perdi meu valor ?


Hoje amanheci vendo minha vida como a folha em branco de um papel inútil jogado e amassado no fundo de uma gaveta. Potencialmente importante em função do que nela possa vir a ser escrito, mas ao mesmo tempo prova incontestável talvez de uma árvore massacrada.

Em alguma parte de meu sono passado minha vida perdeu seu escasso valor. Acordei muito triste, as lágrimas não querem secar.
Acho que vou voltar a dormir e meu valor pessoal encontrar de novo.

terça-feira, 1 de março de 2011

A alegria de uma visita


É muito triste sentir alegria por uma coisa que poderia ser comum não fosse a ação desastrosa do homem na natureza. A emoção de ver esta arara se alimentando das bananas aqui em meu quintal na Quitandinha (Caeté) agora à pouco e depois alçando vôo livremente, sem grades, sem correntes, é algo inimaginável.
Que Deus se preocupe um pouco menos com o ser humano que não está merecendo Sua atenção e ajude com toda Sua força de Criador suas obras primas indefesas.